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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Koshi Jutsu (Técnica da Essência) (Essence tecnique)


Koshijutsu (骨指術) é geralmente compreendido como: “derrubar um inimigo com um único dedo”. Portanto, um treinamento intenso de golpear estava envolvido, primariamente aos dedos das mão e pés, e juntas, mas também com todas as partes do corpo. É caracterizado por bloqueios fortes que destroem os músculos do oponente, técnicas de arrancar, furar e rasgar com os dedos, pisoes poderosos, e luta agarrada com chaves e projeções. Um dos princípios centrais de Koshijutsu é habilidade e conhecimento dos pontos de pressão.

Koshi pode também ser traduzido como “espinha dorsal”, significando que é o fundamento que pode ser encontrado em muitos dos sistemas marciais Japoneses. Então aqui podemos ver um sentido mais profundo para o estudo... não é sobre estilo, mas a estrutura fundamental (espinha dorsal) das artes marciais em geral. Essa compreensão está destilada no kyusho (急所) que pode ser entendido como "ponto vital". Novamente, este ponto vital é mais que atacar os pontos sensíveis ao longo do corpo, mas também o ponto essencial (Kanjin Kaname - 肝心要) de qualquer momento ou embate. Cada técnica tem um ponto essencial que a torna no que é. Podem haver muitas variações de qualquer técnica, como Musha Dori, mas independentemente da variação, há uma qualidade que permanece... algo que mantem sua essência de Musha Dori mesmo que por aparência uma não se assemelhe mais à outra. Isso é também como cada momento na vida... enquanto temos muitos momentos passageiros, há um "agora" essencial para nossa experiência, e mesmo então, dentro do agora existe um ponto essencial que forma o espírito do Agora. Quando vemos isso podemos compreender como fluir com essa essência para cultivar seu poder. Então podemos compreender Kanjin Kaname - 肝心要 (ponto essencial) como Kanjin Kaname - 神心神眼 (mente e olhos do Divino).

- Soke Masaaki Hatsumi

(English Translation)

Koshijutsu (骨指術) is generally understood as: "to knock down an enemy with one finger". Therefore, intense striking training was involved, mostly to the fingers, toes and knuckles, but also with all parts of the body. It is characterized by powerful blocks that destroy the muscles of the opponent, ripping, piercing and tearing techniques with the fingers and toes, powerful stomping kicks, and close grappling with locks and throws. One of the central principles of Koshijutsu is skill and knowledge of the pressure points.

Koshi can also be translated as "backbone", meaning that it is the foundation that can be found in many of Japan's martial art systems. So here we can understand a deeper meaning to the study... it is not about style, but the fundamental structure (backbone) to the martial arts in general. This understanding is distilled into the kyusho (急所) which can be understood as the "vital point". Again this vital point is something more than just the attacking of sensitive points along the body, but also the essential point (Kanjin Kaname - 肝心要) of any moment or encounter. Each technique has an essential point that makes it what it is. There may be many variations of any technique such as Musha Dori, but regardless of the variations, there is a quality that remains... something that keeps its Musha Dori essence even if by appearance one no longer resembles the other. This is also like every moment in life... while we have many passing moments, there is an essential "now" to our experience, and even then within the now there is an essential point that forms the spirit of the Now. When we can see this we can understand how to flow with this essence to harness its power. Then we can understand Kanjin Kaname - 肝心要 (essential point) as Kanjin Kaname - 神心神眼 (mind and eyes of the divine).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Simplicidade vs. Complexidade (Simplicity vs. Complexity)



Como você descreveria a experiência da fragrância de uma rosa? Você faria uma longa descrição das notas aromáticas em termos de amadeirado, adocicado, etc.? Você faria um poema buscando de alguma maneira traduzir o sentimento por associação? Qualquer que fosse sua maneira de descrever essa vivência jamais seria capaz de reproduzir seu poder, que é um reflexo direto de sua simplicidade.

Quando iniciamos nosso treino de Ninpo nos impressionamos com a multidão de técnicas e conceitos associados à prática. Por vezes nos parece impossível aprender a dominar tantas técnicas, principalmente quando pensamos em "técnicas avançadas". Algumas pessoas se empenham nesse aprendizado e nunca percebem que não passa de um truque. Assim fazendo, se vangloriam de quantas técnicas conhecem e de seu profundo conhecimento filosófico. São os que Hatsumi Sensei chama de colecionadores de técnicas.

Não apenas nas artes marciais, mas na vida cotidiana, podemos observar esse fenômeno onde o ser humano torna-se cade vez mais fragmentado e disperso de si mesmo. Nossa compulsão de explicar a realidade pode se tornar em um empreendimento tão presente que nos ausentamos da própria realidade que buscamos descrever.

Todos os mestres do passado fizeram referência a necessidade de sermos como uma criança. Em algum momento do amadurecimento do ser humano ele tende a complexidade racional. Assim fazendo, ele deixa de ser um ser espontâneo, autêntico, com uma sede insaciável para explorar seu mundo, e passa a ser um ser constrito, falso, com infinitas explicações sobre a realidade que o separam dela de uma vez por todas.

Como a fragrância de uma rosa, é a vivência do treinamento das técnicas que deve aflorar o despertar de Shiki (Consciência). Conforme treinamos, a própria percepção nos ensina que as multidões de técnicas são apenas interpretações de poucos princípios, e que mesmo esses poucos princípios não passam de abstrações da perfeição que é a movimentação autêntica e espontânea inerente ao nosso corpo e espírito.

Os mestres que elaboraram as técnicas e a disciplina do treinamento compreendiam perfeitamente que a complexidade do ser humano jamais permitiria a compreensão direta do Gokui (Segredo) da natureza. Criaram então um labirinto onde o aprendiz poderia ou não descobri-lo por si próprio. Caso o fizesse, realizaria o feito máximo de um ser humano - abandonaria a complexidade do mundo das definições e auto-imagem e nasceria para a realidade de quem ele é em sua totalidade.

(English Translation)

How would you describe the experience of the fragrance of a rose? Would you make a long description of the aromatic notes in terms of woodsy, sweet, etc.? Would you write a poem seeking somehow to translate the feeling by association? Whatever be the way of describing this experience you would never be able to reproduce it´s power, which is a reflex of it´s simplicity.

When we start our training in Ninpo we impress ourselves with the multitude of techniques and concepts associated to the practice. At times it seems to us impossible to learn to master so many techniques, especially when we think of “advanced techniques”. Some people make great efforts in this learning and never notice that it is no more than a trick. In so doing, they think highly of themselves and of how many techniques they know and of their deep philosophical knowledge. They are whom Hatsumi Sensei calls the technique colectors.

Not only in the martial arts, but in everyday life, we can observe this fenomenon where the human being becomes ever more fragmented and dispersed from his very self. Our compulsion to explain reality can become such a prevalent endeavor that we become absent from the very reality we seek to describe.

All of the masters from the past made reference to the necessity for us to become like a child. In some instant of the human process of maturing he tends towards rational complexity. In so doing, he ceases to be a spontaneous, authentic being, with an insatiable thirst to explore his world, and becomes a constricted, false being, with infinite definitions of reality that separates him from Her once and for all.

Like the fragrance of a rose, it is the experience of training the techniques that should bloom into the awakening of Shiki (Conscience). As we train, our own perception teaches us that the multitude of techniques are just interpretations of a few principles, and that even those few principles are no more than abstractions of the perfection that is the spontaneous and authentic movement inherent to our body an spirit.

The masters who developed the techniques and the discipline of training understood perfectly that the complexity of human beings would never allow for the direct understanding of the Gokui (Secret) of nature. They therefore created a labyrinth where the apprentice may or may not find it out for himself. If he does, he would have realized the highest doing for a human being – he would abandon the complexity of the world of definitions and self-image and would be born to the reality of who he is in it´s totality.

sábado, 3 de novembro de 2012

Shikin Haramitsu Daikomyo


A tradução expressa na imagem é uma entre várias outras, visto que não há uma tradução exata para ela. Mais que seu sentido literal, é sua sonoridade que expressa o inexpressível. O aprendizado acadêmico se dar de maneira progressiva, mas o aprendizado no Ninpo se dar por revelações totais, onde todas as conexões de um ponto principal (Kaname) são compreendidas em um único instante. Onde o conhecimento pregressivo organiza o consciente, o conhecimento espontâneo revela o inconsciente.

(English translation)

The translation expressed in the image (Ilumination can be in each experience, like the sound of turning on a light that disperses darkness.) is one amongst many others, considering there isn´t an exact translation for it. More than it´s literal meaning, it is it´s sound that expresses the unexpresible. Academic learning happens in a progressive fashion, but learning in Ninpo happens thru total revelations, where all the conections of a main point (Kaname) are understood in a single instant. Whereas progressive knowlege organizes the concious, spontaneous knowlege reveals the unconcious.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Bushi no Kokoroe (A Direção do Guerreiro - The Direction of the Warrior)


(English Translation)

It is said that the martial ways are shown through one's daily life and behavior. Namely, through the manners of humanity. Needless to say, the Budoka who avoids thoughtless or inappropriate behavior is not consumed by rashness; he maintains a calm attitude, does not hesitate, but is modest, full of kindness, and is highly respected. The true path of the martial ways is to not let one's eagerness take control. Although it is said to be honorable is to protect the weak and fight the strong, it is not permitted to fight unnecessarily or without reason. When the circumstances necessitate, however, those who do not fear the strong and protect the weak should be called true warriors. When someone insults or disrespects you, the courage to laugh and not make them an opponent is true courage. Taking up the sword unnecessarily should be avoided at all costs. Maintaining a graceful heart together with the virtue of affection that is genial and pleasant, while also retaining the stern temperament to be decisive and bold; valuing both the literary and martial arts without being carried away by learning; possessing a well-balanced heart of kindness and valor; this is the divine warrior. We should persevere in this eternal direction of the warrior.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Shu Ha Ri (Nascimento, Morte, Renascimento) (Birth, Death and Rebirth)





Shu Ha Ri é um conceito que se refere ao processo de aprendizagem. Nas artes marciais eles correspondem a:
Shu - Aprender as técnicas.
Ha - Romper com a forma da técnica através de variações da técnica.
Ri - Abandonar a forma da técnica por completo, permitindo emergir naturalmente o movimento de conformidade com o situação, sem a interferência do pensamento.






Esse é um processo longo e cada uma dessas etapas possui sub-etapas que marcam o processo de maturação. Nesse sentido, é de vital importância a prática dos Katas.


(Shu) Inicialmente a mecânica dos Katas deve ser o foco, então a dinâmica e a partir desses um estudo sobre os vários princípios contidos na técnica. (Ha) Apenas então deve-se passar a aplicar estes princípios em sequencias diferentes, depois combinando sequências e em contextos diferenciados (com armas ou múltiplos atacantes, por exemplo). (Ri) O nível seguinte se torna mais difícil de perceber suas etapas, entretanto elas existem. Primeiramente percebemos que em determinado momento essa ou aquela técnica pode ser aplicada com facilidade. Passamos a identificar no Kukan (Espaço Tático) do ataque do oponente onde cada técnica pode ser realizada sem esforço. No próximo nível esta facilidade em aplicar as técnicas dá espaço a micro ajustes em meio a sua realização que ocorrem independentemente da nossa intenção, até que finalmente a movimentação se livra de toda intencionalidade e ocorre naturalmente conforme a necessidade.


Assim sendo, o processo segue o ciclo natural de nascimento, morte e renascimento. Primeiro forma-se um Tigre (representando a solidez do conhecimento técnico), então ele é sacrificado pelo Homem (representando tanto o corpo onde este processo ocorre, como também a inteligência que alquimiza o conhecimento em virtude). Surge então o Dragão (representando a natureza original, ou a sinceridade última do ser). Não deve-se esquecer que esse processo possui seus aspéctos ura (interno) e omote (externo) e que as Waza(técnicas) não são apenas movimentos físicos.


Este é o processo para se chegar ao Shin-Shin-i-Shin-Gan (mente e Olho Divino).


(English Translation)


Shu Há Ri is a concept that refers to the learning process. In the martial arts they correspond to:
Shu – Learning the techniques.
Ha – Breaking away with the form of the technique thru variations of the technique.
Ri – Completely abandoning the form of the technique, allowing for the movement to emerge naturally according to the situation, without the interference of thought.


This is a lengthy process and each one of these steps has sub-steps that mark the process of maturation. In this sense, it is of vital importance the practice of the Kata.


(Shu) In the beginig the mechanics of the Kata should be the focus, then the dynamics and from these a study of the various principles contained in the techniques. (Ha) Only then one should go on to apply these principles in different sequences, then combining sequences and using different contexts (such as weapons or multiple attackers, for example). (Ri) In this next level it becomes more difficult to notice it´s steps, nevertheless they exist. At first we notice that in a given moment this or that technique can be easily applied. We begin to identify in the Kukan (Tactical Space) of the opponent´s attack where each technique can be applied effortlessly. In the next level this ease in applying the techniques gives room to micro adjustments in the midst of doing them that occurs in spite of our intention, until finally our movement becomes free of all intention and happens naturally according to necessity.


Thus being, this process follows the natural cycle of birth, death and rebirth. First a Tiger is formed (representing the solidity of technical knowledge), then he is sacrificed by Man (representing both the body where this process occurs, as also the intelligence that does the alchemy of turning knowledge into virtue). Thus emerges the Dragon (representing one´s original nature, or the final sincerity of being). It should not be forgotten that this process has it´s ura (inner) and omote (outer) aspects and that the Waza (techniques) are not just physical movements.


This is the process to attain Shin-Shin-i-Shin-Gan (the Devine mind and Eye).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Olhos, Mente e Coração (Eyes,Mind and Heart)




Poderia se dizer que o Budo está diretamente ligado a uma percepção correta da realidade, como elemento central, bem como a manipulação dessa percepção em nosso oponente(s). Ser capaz de perceber corretamente e se adaptar a realidade é a principal função de um organismo capaz de sobreviver e perseverar (Nin). Podemos entender como olhos não apenas nossos olhos, propriamente ditos, mas nossos sentidos em geral. Neste sentido se torna vital o que Hatsumi Sensei tem muito falado sobre a purificação dos sentidos. Mas o que se entenderia por pureza?

Se partirmos de um ponto de vista físico, uma substancia pura é uma substancia ausente de outras substancias. No caso de nossos sentidos a pureza está ligada a não contaminar os sentidos com as projeções da mente. A mente funciona de duas formas primárias, a primeira, como um ambiente perceptivo onde vivenciamos estímulos internos e externos. A secundária funciona como um interprete da realidade, fundamentado em nossos processos de imaginação, memória e todas as complexas estruturas que formam o que chamamos de personalidade. A personalidade, por sua vez se caracteriza pela estrutura emotiva que foi se desenvolvendo em volta do nosso senso de individualidade (ego), resultante de sua interação com o ambiente.

É justamente esta esfera da mente que devemos transcender para alcançarmos o estado de Mushin (não mente). Poderíamos dizer que a esfera perceptiva representa a realidade, e a esfera projetiva a ilusão, ou o reino de Maya (ilusão) no budismo. Isso é vital para uma leitura correta de nosso ambiente, mas não apenas isso, ao silenciar o processo defensivo do eu podemos perceber algo mais sutil em nós, nosso sexto sentido, ou a esfera de Shikki (consciência). Podemos dizer então que além dos cinco “olhos” externos, o homem possui um “olho” interno, ou Shin-i- Shin-Gan (espírito e olho divino).

É fácil perceber que Jutsu (técnica) é apenas um passo rumo a Ho (princípio). Como ao se receber um presente, temos que remover o embrulho e abrir a caixa para contemplar seu conteúdo, é também como se livrar do passado (traumas, custumes, conhecimento, etc.) e do futuro (divagações, desejos, sonhos, preconceitos, etc.) para vivermos o presente. No processo de desenvolver nosso taijutsu (técnica do corpo) esse processo é denominado de Shu-há-ri, onde você aprende as técnicas (waza), você destrói as técnicas, e então vai muito além do conhecido e desconhecido para expressar Kami Waza (técnicas divinas).

É um profundo processo de autoconhecimento que parte do mais denso e óbvio até o mais sutil e misterioso. Cada técnica está imbuída de tudo isso, e entender sua estrutura é apenas o início do processo de seu aprendizado. Aqueles que ali permanecem se tornam maquinais e nunca alcançam o sentimento (Kankaku) da técnica, seu verdadeiro tesouro. Porem aqueles que buscam esta essência sem aprenderem a estrutura e sem se dedicarem ao processo sem expectativas, como um ato de pura devoção, seria como tentar ser poeta sem nunca ter aprendido um idioma. Precisamos nos conhecer profundamente, e por vezes dolorosamente para podermos transcender nossa ilusão, não há atalhos neste sentido.

Uma vez que compreendemos os princípios da natureza através de sua vivência direta, precisamos nos harmonizar com ela além desta compreensão, só assim passamos a sermos íntegros novamente, como uma criança de 3 anos. Chegar a vivenciar Nakaima (o meio do agora) é fruto de um longo processo de autoconhecimento que pode levar uma vida inteira, pois é o processo de conquistar nosso mundo interior e transcendermos a nós mesmo para vivenciarmos a eternidade, o divino. É neste sentido que nosso Budo é um sistema completo de defesa pessoal para corpo, mente e espírito, e sendo assim tão diferente do esporte marcial.

“Se um perito nas artes de luta sinceramente buscar a essência do ninjutsu, ausente das influencias dos desejos do ego, o estudante tomará ciência progressivamente do segredo final para se tornar invencível – a realização da ‘mente e olhos de deus’. O combatente que vencerá deve estar em total harmonia com o esquema da totalidade, e deve ser guiado por um conhecimento intuitivo do desenrolar do destino. Em harmonia com a providencia divina e a justiça imparcial da natureza, e seguindo um coração limpo e puro cheio de confiança no inevitável, o ninja captura o insight que o conduzirá com sucesso a batalha quando ele deve se esconder em defesa da hostilidade e quando ele deve aquiescer. O vasto universo, maravilhoso em sua fria totalidade impessoal, contem tudo que chamamos de bem e mal, todas as respostas para os paradoxos que vemos ao nosso redor. Ao abrir seus olhos e sua mente, o ninja pode de forma adaptativa seguir as sutis razões e estações do céu, mudando conforme mudança é necessária, sempre se adaptando, para que por fim não haja tal coisa que uma surpresa para o ninja.”
- Masaaki Hatsumi (Ninja, História e Tradição)

(English Translation)


One could say that Budo is directly related to a proper perception of reality, as a central element, as well as the manipulation of this perception in our opponent(s). To be able to perceive correctly and adapt to reality is the main function of an organism that is capable of surviving and persevering (Nin). We can understand as eyes not just our eyes, in a literal sense, but our senses in general. In this sense what Hatsumi Sensei has spoken so much about the purification of the senses becomes vital. But what can we understand as purity?

If we start from a physical point of view, a pure substance is one that is absent of other substances. In the case of our senses purity is related to not contaminating our senses with the projections of the mind. The mind functions in two primary forms, the first, as a perceptive environment where we experience internal and external stimuli. The secondary, functions as an interpreter of reality, based on our process of imagination, memory and all the complex structures that form what we call personality. The personality in its turn is characterized by the emotional structure that went on to be developed around our sense of individuality (ego), due to its interaction with the environment.

It is precisely this sphere of the mind that we must transcend in order to reach the state of Mushin (no mind). We could say that the perceptive sphere represents reality and the projective sphere illusion, or the kingdom of Maya (illusion) in Buddhism. This is vital for a correct reading of our environment, but not just that, in silencing the defensive processes of the ego we can perceive something more subtle in us, our sixth sense, or the sphere of Shikki (conscience/consciousness). We can say then, that beyond the five “eyes”, man has an inner “eye”, or Shi-i-Shin-Gan (spirit and eye of the divine).

It is easy to notice that Jutsu (technique) is just a step toward Ho(principle). Just as in receiving a present, we have to remove the wrapping and open the box in order to contemplate its contents, it is also like ridding oneself of the past (traumas, habits, knowledge, etc.) and of the future (daydreams, desires, dreams, preconceived ideas, etc.) to live the present moment. In the process of developing our Taijutsu (body technique) this process is known as Shu-ha-ri, where you learn the techniques (waza), you destroy the techniques, and then go beyond known and unknown to express Kami Waza (divine techniques).

It is a deep process of knowing oneself that starts from the most dense and obvious to the most subtle and mysterious. Each technique is imbued with all of this, and to understand it´s structure is only the beginning of the process of learning it. Those who remain in this level become machine like and never reach the feeling (Kankaku) of the technique, it´s true treasure. However, those who seek this essence without learning the structure and without dedicating themselves to the process without expectations, as an act of pure devotion, would be like trying to be a poet without ever having learned a language. We need to come to know ourselves deeply, and sometimes painfully, in order to transcend our illusion, there are no shortcuts in this sense.

Once we understand the principles of nature thru the direct experience of them, we need to harmonize ourselves with her beyond this understanding, only then we may be whole again, like a 3 year old child. To experience Nakaima (the middle of right now) is the result of a long process of self-discovery that can span a lifetime, for it is the process of conquering our inner world and of transcending ourselves in order to experience eternity, the divine. It is in this sense that our Budo is a complete system of self-defense for the body, mind and spirit, and thus is so different from sports martial arts.

"If an expert in the fighting arts sincerely pursues the essence of ninjutsu, devoid of the influences of the ego's desires, the student will progressively come to realize the ultimate secret for becoming invincible - the attainment of the 'mind and eyes of god'. The combatant who would win must be in total harmony with the scheme of totality, and must be guided by an intuitive knowledge of the playing out of fate. In tune with the providence of heaven and the impartial justice of nature, and following a clear and pure heart full of trust in the inevitable, the ninja captures the insight that will guide him successfully into battle when he must conquer and conceal himself protectively from hostility and when he must acquiesce. The vast universe, beautiful in its cold impersonal totality, contains all we call good and bad, all the answers for the paradoxes we see around us. By opening his eyes and his mind, the ninja can responsively follow the subtle seasons and reasons of heaven, changing just as change is necessary, adapting always, so that in the end there is no such thing as surprise for the ninja."

-Masaaki Hatsumi (Ninja History and Tradition)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ninjutsu No Hiketsu Bun (Texto Secreto do Ninjutsu - Secret Text on Ninjutsu)


“O caminho do combate e das estratégias militares consiste na proteção do corpo. E o essencial dessa proteção encontra-se no ninjutsu. Porque o ninjutsu também é aplicado para proteger o espírito de seus praticantes. Em outras palavras, quando o espírito requerido não está de acordo com a prática do caminho do combate, ele pode vir a falecer.
Por exemplo, diz-se que a medicina é o meio que permite salvar a vida, mas se essa ciência estiver destacada de seu objetivo original, ela se torna mortal para o homem. Comida e bebidas são usadas para o desenvolvimento da vida. Mas beber e comer em excesso destrói o corpo. Da mesma maneira que a missão dos políticos deve ser proteger as pessoas e controlar o país corretamente. Porém, quando esses são ávidos, ignorantes ou utilizam o poder a seu próprio favor, semeiam a confusão no país e atormentam as pessoas.
O mesmo se aplica à religião. Quando ela é baseada na sinceridade, sua justeza se manifesta, a pessoa é protegida, as famílias prosperam e todos acabam sendo beneficiados. Porém, quando ela segue o caminho do mal, torna-se o princípio que gera a destruição das pessoas e põe o estado em risco.
É por isso que quando um mestre em técnicas de combate pratica o ninjutsu, ele pode obter o mais essencial de seus segredos. O essencial de seus segredos jaz no espírito e olho Divino.
Em outras palavras, é necessário compreender o ninjutsu como um conhecimento do Caminho Celestial. O que se chama sinceridade do Céu é uma coisa reta sem a menor malevolência. Esse princípio que se encontra ao mesmo tempo no Céu e no homem é apenas um. Por exemplo, as cinco fazes não podem ser geradas sem a terra; o mesmo vale para a ação dos períodos intercalados (doyo), em que as quatro estações se estabelecem, ou quando não há o elemento terra dentre as cinco fazes, é como se não houvesse sinceridade no Céu.
Quando uma pessoa é imbuída de uma justa e real sinceridade, ela está, então, de acordo com o Caminho Celestial. E, quando estiver em conformidade com o Caminho Celestial, satisfará, então, a Vontade Celestial. Eis o que é o espírito e olho Divino. Tal é a razão para a qual o ninja deve ser uma pessoa que conhece a justiça.
Eu chamo o ninjutsu de a arte de reconhecer. Assim, constantemente sorrindo, o ninja não conhece a surpresa. Tal é o estilo de combate da escola Togakure-ryu.”
- Takamatsu Toshitsugo Yokuo, 33° sucessor da Togakure-ryu Ninpo
(Tradução do Japonês por Kacem Zougari)


(English Translation)

“The way of combat and of military strategies consists of the protection of the body. And the essential of this protection is found in ninjutsu. Because ninjutsu is also applied to protect the spirit of it´s practitioners. In other words, when the required spirit is not in accord with the practice of the way of combat, it may come to die.
For example, it is said that medicine is the means that allows to save life, but if this science is detached from its original goal, it becomes fatal to man. Food and drink are used for the development of life. But drinking and eating too much destroys the body. The same way that the mission of politicians should be to protect people and control the country correctly. However, when these are avid, ignorant or utilize power in their own favor, they breed confusion on the country and torment the people.
The same applies to religion. When it is based on sincerity, its justness is manifested, the person is protected, families prosper and all benefit. However, when it follows the way of evil, it becomes the principle that generates the destruction of the people and places the state at risk.
This is why when a master in combat techniques practices ninjutsu, he may obtain the most essential of its secrets. The essential of its secrets lies in the spirit and eye of the Divine.
In other words, it is necessary to comprehend ninjutsu as a knowledge of the Way of Heaven. What is called the sincerity of Heaven is something straight and exempt of any malevolence. This principle that is found simultaneously in Heaven and in man is one and the same. For example, the five fases cannot be generated without earth; the same applies for the action of the dog days (doyo), upon which the four seasons are established. So, when there are no dog days for the four seasons, or when there isn´t the earth element amongst the five fases, it is as if there were no sincerity in Heaven.
When a person is imbued with a just and real sincerity, he/she is, therefore, in accord with the Way of Heaven. And, when in accordance with the Way of Heaven, he/se will satisfy, therefore, Heaven´s Will. Hence, this is the spirit and the eye of the Divine. Such is the reason why a ninja should be a person who knows justice.
I call ninjutsu the art of recognizing. Therefore, always smiling, the ninja is never surprised. Such is the style of combat of the Togakure-ryu school.”
- Takamatsu Toshitsugo Yokuo, 33rd successor of Togakure-ryu Ninpo
(Japanese Translation by Kacem Zougari)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Novo kanjin por Soke para o tema de 2012


神 しん Shin
Deus, mente, alma
龍 りょう  Ryou
Dragão, imperial
要 よう、かなめ Yo
Essência, ponto principal
護 ゴ、まもる Go
Protejer

domingo, 25 de setembro de 2011

Kukan e a liguagem do Silêncio. Kukan and the language of Silence.


Quando falamos do conceito de Kukan não se pode desconsiderar a idéia de Mu (vaziu). No Ninpo se sabe da existência de diferentes dimensões da realidade (primeira, segunda, terceira, e assim por diante, até a sexta dimensão. Essas idéias foram trabalhadas extensivamente quando Soke abordou o tema de Roppo Kuji no Biken (As Seis Formas de Kuji da Espada Secreta). Cada uma dessas dimensões podem ser aproximadas pela percepção, conhecimento das mesmas portanto, é mais que uma abstração intelectual, requer uma imerção da percepção para que sejam conhecidas. Podemos partir de nossa percepção usual para nos referirmos a primeira dimensão. Podemos incluir nas outras cinco tudo que diz respeito ao que as pessoas classificariam de paranormal. Isso se deve pelo fato que nossa atenção é condicionada desde a infancia a se fixar na primeira dimensão. A porta para as demais dimensões é o estado de Mushin (não mente ou mente vazia). As outras dimensões se caracterizam por diversos níveis onde o conhecimento, por meio de uma mudança perceptiva é apreendido por meios progressivamente mais diretos, desde sinais ou preságios à compreesão simbólica, numerológica ou geométrica, até o próprio centro intuitivo, onde o conhecimento é direto. Este conhecimento direto se refere ao sexto anel que trancende o Godai (cinco elementos - chi, sui, ka, fu, ku.) e em Ninpo ele é conhecido como Shikki (Consciência/Conhecimento/Deus). Aprender a adentrar essas dimensões é um processo interno de sesibilizar a atenção, que o proprio treinamento e aderencia aos preceitos do Ninpo irão naturalmente desenvolver.

Decidi falar sobre isso por conta de uma experiência maravilhosa que tivemos treinando Domingo passado, onde vimos um arco íris completo, formando um arco perfeito sobre nosso praticar. Nunhum dos presentes jamais havia visto um arco iris onde ambas as pontas se apresentavam. Dois pontos terminais e um arco de eternidade!

A data foi também de fato significante: 18-09-11
18 de Buguei Juhappan
9 Linhagens
11 um enigma!

Não um, mas dois potes de ouro, e o explendor além!

(English Translation)

When we speak of the concept of Kukan one can´t not consider the idea of Mu (emptiness). In ninpo it is known of the existence of different dimensions of reality (first, second, and so forth, up to the sixth dimension). These ideas have been extensively worked on by Soke when he dealt with the theme of Roppo Kuji no Biken (The Six Ways of Kuji of the Secret Sword). Each one of these dimensions can be approached by perception. Knowledge of them, therefore, is more than intellectual abstraction, it requires an immersion of perception in order for them to be known. We may start from our common perception to refer to the first dimension. We may include in the other five everything that people would classify as paranormal. This is due to the fact that our attention is conditioned from childhood to be fixed in the first dimension. The door to the other dimensions is the state of Mushin (no mind or empty mind). The other dimensions characterize themselves by varying levels where knowledge, by means of a change (Henka) in perception, is apprehended by progressively more direct means, from signs or omens to symbolical, numerological and geometric understanding, to the very core of intuition, where knowledge is direct. This direct knowledge refers to the sixth ring that transcends the Godai (five elements –chi, sui, ka, fu, ku.), and in Ninpo it is known as Shikki (Conscience, Knowledge, God). To learn to enter these dimensions is an internal process of making attention more sensitive, which training itself and adherence to the precepts of Ninpo will naturally develop.

I decided to speak of this due to a wonderful experience we had training last Sunday, where we saw a complete rainbow, forming a perfect arch over our practice. None present had ever seen a rainbow where both ends were visible. Two terminal points and an arch of eternity!

The date was also significant: 09-18-11
18 of Buguei Juhappan
9 Lineages
11 an enigma!

Not one, but two pots of gold, and the splendor beyond!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Juppo Sessho e Kukan (Juppo Sessho and Kukan)


Exitem dois princípios inerentes ao Taijutsu, que são: Juppo Sessho (Contato em todas as 10 direçõres ou 10 formas de negociação entre matar e deixar viver - dependendo do kanjin usado) e Kukan (espaço ou folga - essa interpretação de folga foi mencionada por Ed Lomax sobre uma explicação que Soke fez sobre o termo). A compreensão desses conceitos são essências para a aplicação eficaz do Taijutsu, bem como para expandir nossa pratica a Vida com um todo. Em um confronto o espaço entre os oponentes (Kukan) aparentemente vaziu não o é. Na realidade ele está permeado por possibilidades e intençoes. Contato em todas as 10 direções (8 cardeais e pra cima e pra baixo) significa expandir nossa percepção em abrangencia desse todo, a fim de sermos capazes de "ler" a informação contida nessas direções, e ao mesmo tempo apagar nosso rastro a fim de que nosso oponente não possa fazer o mesmo. Uma vez que há contato físico, quanto maiores pontos de contato com o oponente, mais informação poderemos inferir sobre sua movimentação. Poderiamos dizer que o segredo para o domínio desses dois pricípios é uma atenção expansiva e uma sensibilidade aguçada. Controlar o Kukan (folga) tem haver com o estado mental resultante que nos permite uma folga entre o espaço e os movimentos do oponentes (de sua intenção também), bem como nossa habilidade de ocupar a folga necessária para o oponente realizar seus movimentos. Esse dois princípios podem ser trabalhados desde o mais óbvio do ponto de vista físico ao mais sutil dos elementos emocionais e espirituais de um conflito.

(English Translation)

There are 2 principles inherent to Taijutsu, which are: Juppo Sessho (Contact in all tem directions or 10 ways of negotiation between killing and allowing to live – depending on the Kanji used) and Kukan (space or slack – this interpretation of slack was mentioned by Ed Lomax about an explanation Soke made on the term). The understanding of these concepts are essential to the efficient application of Taijutsu, as well as to expand our practice to Life as a whole. In a fight the apparently empty space between the opponent´s Kukan isn´t so. Actually it is filled with possibilities and intentions. Contact in all 10 directions (8 cardinal and up and down) means to expand our perception in the totality of this whole, in order for us to “read” the information contained in these directions, and at the same time erase our tracks so that our opponent won´t be able to do the same. Once there is physical contact, the more points of contact there are with the opponent, the more information we can infer on about his movement. We could say that the secret for mastery of these 2 principles is an expansive attention and a heightened sensibility. Controlling the Kukan (slack) has to do with the resulting mental state that allows us a slack between the space and the opponents movement (also from his intention), as well as our ability of occupying the slack necessary for the opponent to realize his movements. These two principles can be worked from the most obvious physical point of view to the more subtle emotional and spiritual elements of a conflict.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Mundo da Loucura (The World of Crazyness)


As pessoas que estão estudando as artes marciais estão aptas a pensarem que são humanos por direito; que possuem uma filosofia correta e que estão agindo e se comportando corretamente. Mas o que as outras pessoas acham?
Certo dia eu estava assistindo um programa de entrevistas com um novelista de artes marciais na TV. O novelista, que não parecia realmente saber nada sobre as artes marciais, parecia tão fraco, mas falava como se tivesse sido um grande espadachim. Esses novelistas modernos se tornam grandes espadachins rápido demais. Não sei se ele tem um problema ou se o problema é com a mídia em massa.
Novelistas que não estão estudando ou treinando as artes marciais não podem falar sobre os caminhos marciais ou dos movimentos das artes marciais. Mas alguns deles ainda interrompem os profissionais que estão estudando ou treinando as artes marciais. Eu denomino estes novelistas de megalomaníacos. Eu me pergunto por que a imprensa permite que estes críticos amadores sejam sensei de certas artes. Este é um mundo enlouquecido.
Ouvi dizer que escritores, pesquisadores, dublês, e artistas marciais disputaram sobre as cenas de mutodori no seriado de TV da N.H.K. “Haru no Saka Michi”. Para mim você precisa ariscar a própria vida a fim de realizar mutodori contra uma espada de verdade. Há um poema que descreve a vontade e o coração de muto:

O inferno jaz sob a espada que está armada,
simplesmente adentre, e haverá o paraíso.

Quando você enfrenta a espada você precisa de vísceras (coragem). A pessoa que não consegue coragem verdadeira geralmente arranja coragem falsa, (loucura) ao usar álcool ou drogas. Certa vez conversei com um artista marcial: “Hatsumi-san, eu conheci muitos senseis, mas muitos artistas marciais são nervosos.” “Você quer dizer mania de perseguição ou ser sensível a vencer ou perder?” “Sim.” “Quando vejo meu professor, Takamatsu Sensei, posso ver que a alergia marcial, pensar demais, será fraca se você treinar o suficiente. Ele diz que é caduquice, mas ele está muito bem e muito forte.”
Há momentos em que um artista marcial pode ficar louco, tipo megalomania, complexo de inferioridade, mania de perseguição, e sensível demais (chusatsu moso), que o leva a pensar que alguém estar tentando o atacar. Por exemplo, se você se torna um megalomaníaco, você pensa que é forte, um herói. O complexo de inferioridade, que você pode adquirir caso viva perdendo, pode lhe levar a pensar que você não presta, ou que você não tem o talento para ser um artista marcial. Mania de perseguição faz você pensar que seu opoente aparenta ser mais forte. Chusatsu moso faz você pensar que alguém está tentando lhe atacar por você ter muitos pontos fracos. Essa é uma doença mental que todos terão se estão no processo de treinar. Apenas um indivíduo que se encontra no “Mundo da Loucura” e consegue sair pode se tornar um mestre.
É dito que os santos espadachins aprenderam zen há muito tempo atrás. Mas houve uma era negra do Zen na história do Japão. O sacerdote Ikkyu viveu durante esse período e com o espírito da rejeição se autodenominou “Fukyo” (louco). Você pode interpretar loucura e coragem como a mesma coisa. Certo dia, o Shogun Ashikaga visitou Ikkyu para reformar os maus costumes. Os outros sacerdotes começaram a estremecer e se preocupar por conta da presença do Shogun, mas Ikkyu tirou seu chapéu e ficou de pé num local mais elevado que o Shogun, e estava prestes a lhe dar seu chapéu. Um dos seguidores do Shogun ficou furioso e empunhou sua espada, pronto para sacar quando pensou que seria melhor ele não derramar sangue diante do altar Budista. Contrariamente, ele ergueu sua mão para receber o chapéu pelo Shogun. Ikkyu então disse: “Eu não posso dar esse chapéu para um seguidor como você. Eu o darei somente ao Shogun diretamente.” Esse é um exemplo de coragem com humor.
Há muitas formas de Kyo (loucura). A forma dupla: mudanças de técnica ou arte marcial para achar um bom professor. A forma depressiva: uma pessoa que sorrir (é gratificado) após atacar alguém. A forma do engano: uma pessoa que ataca o território do inimigo sozinho. A forma alcoólatra: uma pessoa que não consegue empunhar a espada sem álcool. Qualquer um que se torna louco da loucura e então retorna de volta a um estado normal se tornará um verdadeiro perito. Eu digo a meus alunos para conseguirem fazer concentração mental, se tornarem como esquizofrênicos ou dupla personalidades, do contrário não detectaram a existência de oponentes em cada direção.
Há uma tendência entre artistas marciais modernos de não treinarem sozinhos. Eu costumava treinar sozinho. Quando meu professor não estava lá encontrei o segredo por mim mesmo. Eu ficava nas montanhas e treinei com as árvores, animais selvagens e com a natureza. Treinei usando taihenjutsu contra as árvores. Quando treinei contra animais selvagens, li suas mentes primeiro e depois socava e os chutava. Eu pratiquei técnicas de projeção contra um grande touro. Eu treinei contra as mudanças da natureza, e aprendi a predizê-las e tirar vantagem das mudanças.
Mas é melhor está com seu professor. Mas se seu professor não presta, você aprende apenas a forma, e você acaba com artes marciais de fantoche. Por sinal, o livro chamado Uma Regra Laissez-faire, um best-seller, deve ser bem vindo porque esta regra pode lhe conceder grande criatividade. Se eu tenho um aprendiz que não aprende, mas aprecia as artes marciais, eu o deixo em paz. Eu não digo nada e nem sequer treino ele. Mas se ele ainda gosta das artes marciais, ele treina por si só e começa a aprender algo. Se você lhe ensinar demais, às vezes não funciona. Oh Yomei previu que as pessoas estava indo a ele por meio de Do In Jutsu, técnica de guiar , conduzir, mas ele achou que ensinar isso as pessoas não lhes faria bem, e ele parou de ensinar. Se você fizer demais, não é bom. É o mesmo para as artes marciais. Eu não ensino técnicas muito avançadas a não ser para alunos avançados. O segredo não é o número de técnicas.
Uma regra laissez-faire é um método nascido da realização do “nada”. A sociedade moderna, que busca apenas o método que é nascido do “alguma coisa”, cria pessoas inúteis. Às vezes eu digo para meus alunos que ainda estão no ginásio: “Eu não gosto da forma como vocês estudam porque não possuem uma meta. Eu lhe s ensinarei. Primeiramente, se enamorem do Ninpo. Enamorar-se dará vida a tudo. Se você se enamorar, você pode treinar sozinho. A partir de então, você começa a estudar tudo.” Muitos estrangeiros vem me ver, então eu naturalmente comecei a estudar línguas estrangeiras. História das artes marciais, pensamentos, religião, filosofia, línguas estrangeiras, psicologia, química, física, etc. Você começa estudando por si. Então não é importante se você é bom ou ruim em algo, como no budo, ou em quantas técnicas que você foi ensinado ou sabe, mas é mais valoroso aprender a verdade do jogo treinando só. “A vida é treinar só.” Esse axioma eu digo para mim mesmo e a meus alunos. É claro que o mais importante é ter atenção. Atenção lhe permite ter uma maneira de treinar a fim de não se meter em encrencas.
- O Mundo da Loucura
Traduzido do Hiden no Togakure Ryu Ninpo por Dr. Masaaki Hatsumi

(English Translation)

People who are studying martial arts are apt to think that they are rightly human; that they have a right philosophy and that they are acting and behaving correctly. But what do other people think?
One day I was watching a talk show with a martial art novelist on TV. The novelist, who didn't look like he really knew about the martial arts, looked so weak, but was talking as if he had been a great sword man. These modern day novelists become great swordsmen all too quickly. I don't know if they have a problem, or if the problem is with the mass media.
Novelists who are not studying or training in the martial arts can't talk about the way of the martial arts or movements of the martial arts. But some of them even interrupt the professionals who are studying or training in the martial arts. I call these kinds of novelists megalomaniacs. I wonder why the mass media lets these amateur critics be sensei of certain arts. This is a crazy world.
I have heard that the writers, researchers, stunt men, and martial artists disputed over the mutodori scenes in the N.H.K. TV series "Haru no Saka Michi". To me, you have to risk your life to do muto dori against a real sword. There is a poem which describes the will and heart of muto:

Hell lies under the sword which is brandished,
just step in, and there will be heaven.

When you face the sword, you need guts. The person who can't get true guts normally gets fake guts, (craziness) by using liquor or drugs. I once had a talk with one martial artist: "Hatsumi-san, I have met many sensei, but a lot of martial artists are nervous." "You mean persecution mania or being sensitive to winning or losing?" "Yes." "When I see my teacher, Takamatsu Sensei, I can tell that the martial art allergy, thinking too much, will be dull if you train enough. He says it is senility, but he is quite well and very strong."
There are times when a martial artist can become crazy, such as megalomania, inferiority complex, persecution mania, and too sensitive (chusatsu moso), which makes you think somebody is trying to attack you. For example, if you become a megalomaniac, you think you are strong, a hero. Inferiority complex, which you could get if you keep losing, can make you think you are not good at all, or that you don't have the talent to be a martial artist. Persecution mania makes you think that your opponent looks stronger. Chusatsu moso makes you think that somebody is trying to attack you because you have a lot of weak points. This is one of the mental diseases which everyone will have if they are in the process of training. Only an individual who is in the "World of Craziness" and can get out can become a master.
It is said that the sword saint learned zen a long time ago. But there was a dark period of Zen in the history of Japan. The priest Ikkyu lived during that period with the spirit of rejection called himself "Fukyo" (crazy). You can interpret craziness and courage as the same thing. One day, Shogun Ashikaga visited Ikkyu to reform the bad customs. Other priests started to shake and worry because of the presence of the Shogun, but Ikkyu took off his hat and stood up on a place higher than the Shogun, and was about to give his hat to him. One of the Shogun's followers was very upset and put his hand on the handle of his sword, ready to draw when he thought he better not cause bloodshed before the Buddhist altar. Instead he reached out his hand to receive the hat for the Shogun. Ikkyu then said: "I can't give this hat to a follower like you. I will only give it directly to the Shogun." This is an example of courage with humor.
There are many forms of the Kyo (craziness). The form of split: changes of techniques or martial art to find a good teacher. The form of depressive: a person who smiles (gets gratification) after attacking someone. The form of diversion: the person who attacks the opponent's territory by himself. The form of alcoholic: a person who can't hold the sword without liquor, etc. Anyone who becomes crazy of the craziness and then returns back to the normal state will become a true expert. I tell my students that if they can do mental concentration, become a kind of schizophrenic or split personality, or they can't detect the existence of the opponents in every direction.
There is an tendency for modern martial artists not to do training by themselves. I used to train by myself. When my teacher was not there, I found out the secret by myself. I stayed in the mountains and trained with trees, wild animals, and nature. I trained using taihenjutsu against trees. When I trained against wild animals, I read their minds first and then punched or kicked them. I practiced throwing techniques against a big bull. I trained against the changes of nature, and learned to foresee them and take advantage of the changes.
But it’s better being with your teacher. But if your teacher is not good, you learn only the shape, and you end up with puppet martial arts. By the way, the book called A LAISSEZ-FAIRE POLICY, a bestseller, should be welcomed because this policy can give you great creativity. If I have a student who doesn't learn, but enjoys the martial arts, I leave him alone. I don't say anything and I don't even train him. But if he still likes martial arts, he trains by himself and starts to learn something. If you teach him too much, it sometimes doesn't work. Oh Yomei foreknew that people were coming to him by Do In Jutsu, technique of leading, conducting, but he thought that teaching this to people didn't do any good for them, and he stopped teaching. If you do too much, it’s no good. It is the same for the martial arts. I don't teach real advanced techniques unless they are to advanced students. The secret is not the number of techniques.
A laissez-faire policy is the method which was born from the realization of "nothing". Modern society, which seeks only the method which is born from "something", makes useless people. Sometimes I tell my students who are still in high school: "I don't like the way you study because you don't have a goal. I will teach you. First, fall in love with Ninpo. Falling in love will give birth to everything. If you fall in love, you can train by yourself. From there, you start studying everything." A lot of foreigners come to me, so I naturally started studying foreign languages. History of martial arts, thoughts, religion, philosophy, foreign language, psychology, chemistry, physics, etc. You start studying by yourself. So it is not important whether you are good or bad at something, as in budo, or how many techniques you were taught or know, but it’s more valuable to learn the truth of the game by self training. "Life is self training." This is the axiom I tell myself and my students. Of course it is most important to have attentiveness. Attentiveness lets you have a manner to train in order not to get into trouble.

- The World of Crazyness
Translated from Hiden no Togakure Ryu Ninpo by Dr. Masaaki Hatsumi

sábado, 25 de junho de 2011

Bu Jyu Hi: Por Hatsumi Sensei, traduzido pelo Shihan Paul Massey (Bu Jyu Hi: By Hatsumi Sensei Translated by Paul Masse-Shihan)


“O universo e todas as coisas vivas são vivificadas pelo Grande Espírito Divino de nossos Ancestrais. Esse espírito nos protege, nos traz felicidade, e nos concede prosperidade. Vivemos não por poder próprio, mas pelo poder da luz de nossos ancestrais que ver através de todo Céu e Terra.
Nós, seres viventes, devemos apenas, com todo nosso coração, proteger e transmitir esse Caminho de nossa Descendência Divina. Se, com a determinação de uma mente focada, jurarmos devoção a varrer a maldade de nossos corações, nossas casas de certo serão protegidas por essa Grande Divindade.
A forma do espírito que ilumina o grande caminho verdadeiro, essa luz brilhante juntamente com o elixir da imortalidade protegerão aquelas pessoas de verdadeira luz perfeita.”
Masaaki Hatsumi

(English Translation)
“The universe and all living things are given life by the Great Divine Spirit of our Ancestors. This spirit protects us, brings us happiness, and bestows prosperity upon us. We live not by our power, but by the power of the light of our ancestors which sees thru all Heaven and Earth.
We, living beings, must only, with all our heart, protect and transmit this Way of our Divine Ancestry. If, with single minded determination, we swear devotion to sweeping wickedness from our hearts, our houses will surely be protected by this Great Divinity.
The form of the spirit that lights the great true path, this brilliant light along with the elixir of immortality will protect those people of true perfect light.”
Masaaki Hatsumi

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Uma Entrevista com o Shihan Toshiro Nagato (19 de Maio, 2001. Traduzido do Japonês para o Inglês por Tim Bathrust)


Cavalheiros, obrigado por sua carta e seu pedido pela opinião de Nagato Sensei sobre os elementos pertinentes ao treino em Budo. Espero que vocês não se importem, mas para economizar tempo e trabalho em traduzir e tudo o mais, Nagato Sensei pediu que eu traduzisse para o Inglês seus pensamentos como se expressaram durante uma conversa em que discutiu sua pergunta sobre os pontos mais importantes do treinamento em Budo.

Nagato Sensei: Bem, essa é uma pergunta bastante complicada. Quantas boas respostas você poderia dar para “os pontos mais importantes em Budo”? Primeiramente, existe o ponto que Hatsumi Sensei está sempre fazendo. “CONTINUE INDO” Gambate, certo. No final este é um ponto muito importante, você deve perseverá em seu treinamento para ser capaz de fazer alguma coisa dele.

O próximo eu acho que seja um ponto importante encontrar um bom professor, e essa talvez seja a decisão mais importante de sua carreira nas Artes Marciais. Se o professor for bom, o aluno pode se tornar bom, mas se o professor não for bom, não fará bem aos alunos. Um bom professor deve ser uma pessoa que é um bom equilíbrio entre instrutor e estudante.

É claro, quando você começa você não sabe quem é bom e quem não é, mas conforme o tempo for passando você poderá ver se seu professor é realmente bom ou não. É por isso que é tão importante e especial que Sensei viaje o mundo todo para ensinar seu Budo “de homem pra homem”. Se você não tem visto Hatsumi Sensei você não saberia. Se seu instrutor se move como Hatsumi Sensei então você sabe que ele pelo menos está na trilha certa.

Um bom instrutor também tem um bom equilíbrio de saber quando ensinar e quando deixar os alunos descobrirem por si mesmos. Um professor que é gentil demais, como em dar explicações demais, tornam os alunos preguiçosos e inibe a habilidade deles de descobrirem as coisas por conta própria.

Além disso, é importante para um estudante ser capaz de depender de seu próprio julgamento. Depender do professor para corrigir tudo te levará a se tornar fraco. Você precisa pensar e decidir por si próprio, de outra forma você pode ser facilmente controlado. Um professor de Budo não é como um técnico de futebol ou tênis, não é um relacionamento trivial ou a curto prazo, um professor de Budo é um professor para a sua vida.

Toshiro Nagato Moko

(English Translation)

An Interview with Toshiro Nagato Shihan (May 19th, 2001. Translated from Japanese to English by Tim Bathrust)

Gentlemen, thank you for your letter and your request for Nagato Sensei’s opinion on pertinent elements of Budo training. I hope you don’t mind, but to save time and trouble on translating and so forth, Nagato Sensei asked that I translate into English his thoughts as expressed during a conversation discussing your question on the most important points in Budo training.

Nagato Sensei: Well, that’s quite a complicated question. How many good answers could you give to “the most important point of Budo”? Firstly, there is the point that Hatsumi Sensei is always making. “KEEP GOING” Gambatte, right. In the end that is a very important point, you must persevere in your training to be able to make anything of it.

Next I think an important point is to find a good teacher, and this is probably the most important decision in your Martial Arts career. If the teacher is good, the student can become good, but if the teacher is no good, it doesn’t bode well for the students. A good teacher should be a person who is a good balance of instructor and student.

Of course, when you start you don’t know who is good and who isn’t, but as time goes on you will be able to see if your teacher is any good or not. This is why it is so important and special that Sensei travels all over the world to teach his Budo “man to man”. If you haven’t seen Hatsumi Sensei you wouldn’t know. If your instructor moves like Hatsumi Sensei then you know he is at least on the right track.

A good instructor also has a good balance of knowing when to teach and when to let the students figure it out for themselves. A teacher who is too kind, as in giving too many explanations, makes the students lazy and inhibits their ability to work things out for themselves.

Apart from that, it’s important for a student to be able to depend on his or her own judgement. Relying on the teacher to correct everything will lead to you becoming weak. You have to think and decide for yourself, otherwise you can be easily controlled. A Budo teacher is not like a football or tennis coach, it is not a trivial or short-term relationship, a Budo teacher is a teacher for your life.

Toshiro Nagato Moko

Gogyo - Sanshin no Kata


Gogyo no Kata / Sanshin no Kata

“Eu gostaria que você compreendesse esse kata (forma) no sentido de kata (camino). O Mestre de Takagi Yoshin, Uryu, também comenta que esses métodos são invencíveis, em um trecho ‘Gorin’. O espírito de luta é primeiro classificado como luta yin e luta yang, como dragão e tigres. Isso é denominado kote kiri Yoda. Um dragão está deitado no chão silenciosamente, na kamae (atitude) de mumyo ushimitsu (escuridão absoluta) enquanto o inimigo se movimenta, você invoca uma nuvem, sacode um vento, e usa kyojutsu Tenkan Ho (visão divina) com 1000 mudanças e 10,000 variações. Uma vez que a verdade do sanshin no kata no qual você vem treinando, se tornar budo taijutsu você terá começado a treinar.”

Soke Masaaki Hatsumi


Gokyo no Kata / Sanshin no Kata
“ I would like you to understand this kata (form) in the sense of kata (way). The Takagi Yoshin Master, Uryu, also comments that these methods are invincible, in a ‘Gorin’ section. Fighting spirit is first classified into yin fighting or yang fighting, like dragon and tigers. This is called kote kiri yoda. A dragon lies on the ground quietly, in kamae of mumyo ushimitsu (absolute darkness) as the enemy moves, you call up a cloud, whip up a wind, and use kyojitsu Tenkan Ho (divine sight) with 1000 changes and 10,000 variations. Once the truth of the sanshin no kata in which you have been training in, becomes budo taijutsu you have began training.”
Soke Masaaki Hatsumi

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sobre o Kihon Happo - About the Kihon Happo


Sobre o Kihon Happo

Quando treinar no Taijutsu do Kihon Happo, a pessoa começa a aprender as formas de Koshi Kihon Sanpo e do Torite Goho, e a não ser que a pessoa construa uma comunidade entre essas formas e Happo Biken, Buguei Juhappan e Ninja Juhakkei, é impossível se dizer que se compreendeu o Kihon Happo. Uma vez que esse Kihon Happo der à luz a 10,000 caminhos e os 10,000 caminhos se tornarem o infinito [Mugen: normalmente “sem limite” mas aqui “sem origem”], isso se torna a raiz dos caminhos marciais [pode também ser lido como Mugen] e o verdadeiro sabor do Kihon Happo salta à vida.
Eu expressei o parâmetro que o Kihon Happo consiste em uma combinação de Kosshi Kihon Sanpo e Torite Goho; mas Koshi Sanpo se refere a Tenchijin e Sanshin, e Torite Goho é um caminho de iluminação [Go-gyo] cujo propósito é compreender Chi-Sui-Ka-Fu-Ku e a operação de Gogyo [“cinco atos” (não apenas “cinco exercícios” ou “cinco elementos”)]. O coração é Jin-Gi-Rei-Chi-Shin [benevolência, retidão, propriedade, sabedoria, e sinceridade]; de outra forma representa a atitude de um artista marcial, Kan-Chu-Ko-Ji-Ai [atenciosidade em lealdade, devoção filial e amor próprio]. Isso produz a harmonia de um coração marcial que é tido como sagrado [Bushin Wa-o motte Totoshi-to nasu, “O coração marcial tem a harmonia como sagrada.”], portanto, o Kihon Happo são dados a nós pelo céu. Ao recebê-los nos tornamos guerreiros atados à vontade divina, e somos capazes de seguir um caminho misterioso de milagres em nossas vidas. É por isso que o caminho da estratégia é conhecido como um caminho miraculoso. Essa é a verdade do Kihon Happo do Budo Taijutsu.
- Soke Masaaki Hatsumi, Sanmyaku N°9

(English Translation)

Concerning the Kihon Happo

When training in the Taijutsu of Kihon Happo, one starts by learning the forms of Koshi Kihon Sanpo and Torite Goho, and unless one builds a community between these forms and Happo Bikken, Buguei Juhappan and Ninja Juhakkei, it is impossible to say one has understood Kihon Happo. Once this Kihon Happo gives birth to 10,000 ways and the 10,000 ways become infinity [Mugen: normally “without limit” but here “without origin”], this becomes the root of the martial ways [can also be read as Mugen] and the true flavor of the Kihon Happo comes alive.
I expressed the guideline that Kihon Happo consists of a combination of Kosshi Kihon Sanpo and Torite Goho; but Kosshi Sanpo refers to Tenchijin and Sanshin, and Torite Goho is a path of enlightenment [Go-gyo] whose purpose is to understand Chi-Sui-Ka-Fu-Ku and the operation of Gogyo [“five deeds” (not just “five exercises” or “five elements”)]. The heart is Jin-Gi-Rei-Chi-Shin [benevolence, righteousness, propriety, wisdom, and sincerity]; alternatively it represents the attitude of a martial artist, Kan-Chu-Ko-Ji-Ai [thoroughness in loyalty, filial piety and self-love]. This produces the harmony of a martial heart which is held sacred [Bushin Wa-o motte Totoshi-to nasu, “The martial heart holds harmony sacred.”], and thus the Kihon Happo are given to us by heaven. By receiving them we become warriors linked with the divine will, and are able to follow a mysterious path of miracles in our lives. That is why the way of strategy is also known as the miraculous path. This is truth of the Kihon Happo of Budo Taijutsu.
- Soke Masaaki Hatsumi, Sanmyaku N°9

sexta-feira, 4 de março de 2011

O sonho do Ninja (The dream of the Ninja)



O Sonho do Ninja (The Dream of the Ninja)

Uma das características essências ao Ninjutsu é a presença de uma beleza escura, um universo sombrio repleto de mistérios, o mundo de Yugen. Todos que iniciam sua caminhada nesta arte são recebidos pelos mistérios de Yugen. As lendas antigas nos contam de homens corvos, de magia e de encantamentos. A história nos traz informações vagas que acabam num especo véu de névoa que vela a realidade. A invisibilidade não era uma habilidade empregada apenas pelo corpo, mas que permeia todo o Ninjutsu. Ele deixa sua presença ser percebida, mas jamais se revela, senão para aqueles que o encontram dentro de si mesmos. Nos dias atuais, gera controvérsias entre aqueles que gostariam de acreditar na supremacia dos métodos modernos de nossa cultura global e fingir que nunca existiram coisas que não podemos mensurar ou mesmo sequer explicar. Assim, são poucos praticantes que acordam do sonho do mundo de Yugen e percebem que a magia e o encantamento estão fundamentados numa compreensão da realidade brutalmente lúcida e prática. Os poucos que despertam sabem desligar sua compulsão de tudo querer explicar pela razão, compreendem que há um motivo para a natureza vaga dos ensinamentos, que sua chave se encontra na idéia de Zanshin, uma atenção expansiva e relaxada que a tudo abarca sem nada conter. Somente perseverando neste estado de espírito é que se encontra a luminosidade presente nas sombras e se pode encontrar o fio do Tao e ser realmente iniciado na essência do Ninpo. Aqueles que buscam explicações lógicas e “científicas” estão condenados a não escapar as espeças teias que existem nas sombras, tecidas pelos assistentes de Fudo Myo, para aprisionar os cães da razão com toda a sua mesquinhez.

“O Uso dos Meios

O movimento do Tao nasce dos contrários
a franqueza é o meio de que ele se serve.
Todas as coisas nascem do Ser; o Ser nasce do não-ser.”

- Tao Te King, Lao Tse


(English Translation)
One of the essential characteristics of Ninjutsu is the presence of a dark beauty, a somber universe full of mysteries, the world of Yugen. All who start their journey in this art are welcomed by the mysteries of Yugen. The ancient legends tell us of crow-men, of magic and spells. History brings us vague information which ends up in a thick veil of mist that shrouds reality. Invisibility wasn´t an ability used only by the body, but in fact permeates the whole of Ninjutsu. It allows its presence to be perceived, but never reveals itself, other than to those who find it in themselves. In our current days, it generates all kinds of controversy amongst those who would like to believe in the supremacy of the modern methods of our global culture, and pretend that things that cannot be measured or explained ever existed. Therefore, few are the practitioners who awaken from the dream of the world of Yugen and perceive that the magic and enchantment are based on an understanding of reality that is brutally lucid and practical. The few that awaken know how to shut down their compulsion to explain everything by means of reason, they understand that there is a purpose for the vagueness of the teachings, that it´s key lies in the idea of Zanshin, an expansive and relaxed attention that embraces all and yet is attached to nothing. Only by persevering in this state of mind is that one may find the luminosity amongst the shadows, and find the thread of the Tao and be truly initiated in the essence of Ninpo. Those who seek reason based or “scientific” explanations are condemned to not escape the thick webs that inhabit the darkness, threaded by the assistants of Fudo Myo to imprison the dogs of reason with all of their pettyness.

“The Use of the Means


The movement of the Tao is born from the opposites
frankness is the means from which it serves itself.
All things are born from Being; Being is born from non-being.”
-Tao Te King, Lao Tse

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Jin no Budo (O Caminho de Guerra do Homen) (The War Path of Man)


Jin no Budo (O Caminho de Guerra do Homem)

Devido a alguns questionamentos que vem sendo propostos na internet sobre a autenticidade dos ensinamentos transmitidos a nós por Hatsumi Sensei, ensinamentos cujo ele recebeu de Takamatsu Sensei, me entreguei à reflexão. Gostaria de compartilhar com meus Buyus um pouco dessa reflexão, e chamar atenção para pontos essenciais que todo praticante deveria considerar.

Não vou ocupar espaço com os questionamentos, acredito que todos que usam a internet e praticam nossa arte estão interados do seu contexto. Primeiramente, gostaria de chamar atenção para um fato, que é respaldado pelo contexto histórico e que se apresenta constantemente na narrativa de Hatsumi Sensei sobre o Ninpo – que o Ninpo surgiu, antes de qualquer coisa, como uma filosofia e uma prática espiritual. Sob a influência dos conhecimentos Budistas, Taoistas e Xintoístas os Yamabushis desenvolveram uma cultura própria baseada em princípios que consideravam sagrados, mas estas influencias não se limitavam ao espiritual, e pela própria necessidade de sobrevivência, a luz da perseguição que sofriam, e pelo contato com toda sorte de Ronin e outros guerreiros de terras estrangeiras, se desenvolveu um sistema marcial de sobrevivência. Vale mencionar que a influência marcante do Mykkio (Budismo Tântrico), e sua devoção a Fudo Myo (O Rei da Luz Inabalável), deus padrinho das artes marciais, permitiu que não houvesse contradição entre a espiritualidade e a marcialidade, mas isto é assunto para todo um trabalho a parte.

As considerações acima são importantes para contextualizar a idéia de que se há um sistema de marcialidade ele deve existir com o propósito de proteger algo. Alguns praticantes se empenham nos aspectos técnicos do Taijutsu e se tornam ótimos lutadores, mas perdem o sentido da arte ao ignorarem aquilo pelo qual o Taijutsu foi desenvolvido para nutrir e proteger. A situação se torna mais complicada num sistema que não ver separação entre mente, corpo e espírito. Portanto, sem compreensão das sutilezas espirituais nem mesmo a pratica técnica pode ser desenvolvida corretamente. Isto é, considerando que o bom Taijutsu implica em não lutar, enquanto o oponente luta sozinho. É de fato uma técnica de evasão. Neste contexto, temos o que poderíamos chamar dos praticantes Chi (Terra).

Do outro lado da moeda temos os entusiasmados com espiritualidade. Praticantes que buscam um caminho de espiritualidade e se deleitam em ver exibições do Sakkit Test e praticam (ou imitam o que podem do) Kuji e toda sorte de meditação e prática exótica associada ao Ninpo. Estes praticantes fariam melhor em se juntarem a um mosteiro e se dedicarem a alguma religião. Considerando o fato que ignoram a realidade de um combate físico real e mesmo diante de técnicas obviamente mortais, que empregam espadas, lanças, armas de fogo e explosivos, jamais se colocam na posição de testar se a movimentação que eles vêm praticando, em câmera lenta e contra resistência zero, funcionaria contra um ataque real. Estes poderiam ser chamados de praticantes Ten (Céu).

Dessa forma temos pessoas que enxergam o mundo pelo prisma dos sentidos e outras pelo prisma do simbólico, temos o cientista e o sacerdote, mas dos dois, quem é o Ninja? Poderia ser ele o Homem (Jin), aquele que persevera meio as realidades de Ten e Chi? Poderíamos dizer que o Ninpo (método da perseverança) é um caminho de crescer em percepção e compreensão dessas duas dimensões enquanto sobrevivemos às forças titânicas que nos afrontam por dentro e por fora? E poderíamos dizer que a chave para isso não é nem símbolo nem razão, mas sim intuição em ação, conhecimento instintivo súbito diretamente associado a ação. Corpo, mente e espírito unidos (Shi Gi Tai). E se a resposta for sim para estas perguntas e temos no engano uma chave central para sobrevivência não é correto que um Ninja utilize desta chave para zelar pelas jóias espirituais e técnicas que ele conquistou ao longo de sua caminhada? Numa tradição onde Kuden (Transmissão Oral) é chave inclusive para decifrar os pergaminhos não é tolice discutir se os documentos são autênticos ou não? Será que nos tornaremos seres mais conscientes por conta de verificação antropológica? Nossa habilidade de se defender aumentará porque algum intelectual autentica este ou aquele documento? Peguemos estes argumentos e contemplemos o porque do descaso com o qual Soke aprova graduações de pessoas obviamente longe da suposta habilidade.

Acredito que a verdadeira sinceridade contenha a solução para toda controvérsia. Esta sinceridade a qual me refiro é a sinceridade consigo mesmo. No fundo todo mundo sabe onde está o desequilíbrio, muitos simplesmente não querem se dar o esforço de trabalhar aquilo que não vem com facilidade. Mas independente das inclinações pessoais, Soke vem apontando para a direção correta, resta cada um seguir por esforço próprio. Todos aqueles que já deram alguns passos de certo se divertem com tantos questionamentos, e logo então se entristecem por não contarem com estas pessoas para compartilhar o indescritível prazer de viver resultante desta caminhada.

(English Translation)

Due to some questioning that is being undertaken on the internet about the authenticity of the teachings transmitted to us by Hatsumi Sensei, teachings which he received from Takamatsu Sensei, I gave myself to reflection. I would like to share with my Buyu a little bit of this reflection, and call attention to essential points every practitioner should consider.

I´m not going to use up space with the specifics being questioned, I believe everyone who uses the internet and practices our art are up on the subject.
First of all, I would like to draw attention to a fact, that is backed up by historical evidence and that presents itself constantly in the narrative of Hatsumi Sensei about Ninpo – that Ninpo emerged, before anything else, as a philosophy and a spiritual practice. Under the influence of Buddhist, Taoist and Xinto knowledge the Yamabushi developed a culture all their own based on principles they considered sacred. But these influences did not limit themselves to the spiritual, and by the very need for survival, in light of the persecution they suffered, and by contact with all sorts of Ronin and other warriors from foreign lands, they developed a martial system for survival. It´s worth mentioning the prominent influence of Mykkio (Tantric Buddhism), and their devotion to Fudo Myo (The Unshakable King of Light), patron god of the martial arts, that allowed for there not being any contradiction between spirituality and the martial aspect, but this is subject for a whole other work apart.

The above considerations are important to contextualize the idea that if there is a martial system it should exist with the purpose of protecting something. Some practitioners dedicate themselves to the technical aspects of Taijutsu and become great fighters, but they lose the meaning of the art in ignoring that which the Taijutsu was developed to nurture and protect. The situation becomes more complicated with a system that does not see any separation between mind, body and spirit. Therefore, without understanding of the spiritual subtleties, not even the technical practice can be developed correctly. That is, considering that good Taijutsu implies in not fighting, while the opponent fights by himself. It is indeed a technique of evasion. In this context, we have what we could call the Chi (Earth) practitioners.

On the other side of the coin we have the spiritual enthusiasts. Practitioner that search for a spiritual path and find pleasure in seeing exhibitions of the Sakkit Test and practice (or imitate what they can of) Kuji and all sorts of meditation and exotic practices associated with Ninpo. These practitioners would do best in joining a monastery and dedicating themselves to some religion. Considering the fact that they ignore the reality of a real physical combat and even in the presence of obviously deadly techniques that uses swords, spears, guns and explosives, they never put themselves in a position to test if the movement they have been practicing, in slow motion and against zero resistance, works against a real attack. These practitioners could be coined as Ten (Heaven) practitioners.

In such a manner we have people who see the world by the prism of the senses and others by the prism of the symbolic, we have the scientist and the priest, but of the two, who is the Ninja? Could he be the Man (Jin), one that perseveres amidst the realities of Ten and Chi? Could we say that Ninpo (method of perseverance) is a path of growing in perception and understanding of these two dimensions while surviving the titanic forces that confront us from within and from without? And could we say that the key to this is neither symbol nor reason, but rather intuition in action, sudden instinctive knowledge directly related to action. Body, mind and spirit united (Shin Gi Tai)? And if the answer is yes to these questions and we have in deception a central key to survival isn´t it correct for a Ninja to utilize this key to care for the spiritual and technical jewels that he has conquered along his journey? In a tradition where Kuden (Oral Transmission) is key even to deciphering the scrolls isn´t it silly to discuss if the documents are authentic or not? Is it possible that we will become more enlightened beings by means of anthropological verification? Will our ability to defend ourselves be heightened because some intellectual authenticates this or that document? Let´s take these arguments and contemplate the reason why for the carelessness with which Soke approves the promotion of people obviously far from the supposed level of ability.

I believe that true sincerity contains the solution for all controversy. This sincerity to which I refer is sincerity with our very self. Deep down everyone knows where their unbalance is, many just don´t want to put in the effort to work out that which doesn´t come as easily. But regardless of personal inclinations, Soke is constantly pointing towards the right direction, it´s up to each one to follow by merit of their own effort. All of those who have taken a few steps already surely smile at so much questioning, and then suddenly become saddened because they will not have the company of these people to share the indescribable pleasure of being alive that results from traveling on this path.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Gadai - Os Cinco Elementos



Os cinco elementos (godai) são respectivamente (Chi, Sui, Ka, Fu e Ku) que são Terra, Água, Fogo, Ar e o Vazio. Cada um desses elementos diz respeito não necessariamente a terra ou ao fogo propriamente dito, mas a variadas combinações de calor, frio, umidade, secura, solidez, etc. Portanto um pensamento pode corresponder a um dos elementos, da mesma forma que uma determinada técnica pode ser impetuosa e violenta como o fogo ou sutil e incompreensível como o vento. Além das cinco técnicas que compõem o Sanshin no Kata (Kata dos Três corações) que são nomeados segundo os elementos, pode-se dizer que tudo que fazemos se encontra em um estado correspondente a um dos cinco elementos. Em Ucho Gasho no Kamae, o entrelaçar dos dedos é remanescente dos mudras (entrelaçar complexo dos dedos) budhistas que deram origem a prática de kuji-in do Shugendo (práticas esotéricas do budismo Mykyo). Hatsumi Sensei explica que esta Kamae (atitude) representa a unificação com o universo. Cada dedo representa um dos elementos, começando pelo mindinho representando Chi (Terra) e cada lado do corpo representando in yo ou ying e yang, positivo e negativo. Ao unir as mãos e entrelaçar os dedos representamos nossa atitude de unificação dos opostos e poderíamos inferir que as mãos representariam um sexto elemento que discutiremos adiante.

Podemos também dizer que nosso progresso segue um padrão similar. Começamos com Ashi Sabaki (movimentação dos pés). Este é um dos aspectos fundamentais da base do Taijutsu (combate desarmado) e o próprio Taijutsu é a principal ferramenta de desenvolvimento neste caminho. Se estivermos no lugar errado, na hora errada estamos perdidos. Podemos também inferir que este nível do treino envolve o aprendizado das técnicas marciais. Então temos a fluidez de movimento que se assemelha a água. O fogo vem com a convicção e força de espírito que somente anos de treino pode no conceder. No ar está a sutileza, o desapego às técnicas e ao uso da intenção livre do desejo de resultado. No vazio, todos esses elementos cancelam uns aos outros dando origem ao mundo misterioso de Kyojitsu (intercambio entre verdade e falsidade), pode-se se dizer que ele se caracteriza por um estado de consciência denominado Mushin (não-mente), representa um ponto de harmonização dos opostos.

Cabe agora abordarmos um sexto elemento, não que seja bem um elemento, mas o trataremos assim para uma melhor compreensão. Trata-se do que Hatsumi Sensei tem chamado de I-Shiki (conhecimento/consciência/deus). Este conceito foi revelado recentemente (2004), mas desde o início Sensei explicava as técnicas mais esotéricas da arte como Kiai (harmonização de energia), Kuki Nage (arremesso sem contato físico), KiHaku (vomito de energia), etc. como provenientes do “Pensamento e Olhos de Deus”. Essas técnicas referidas como Kami Waza (Técnicas divinas) não podem ser “treinadas”, são dons concedidos de acordo com a necessidade, resultantes da plena interação do Budoca (artista marcial) com o Divino através da disciplina na senda do budo. Representa a imersão da percepção num estado de transcendência além dos opostos.

(English Translation)

Soon to be posted.

Shinnenjutsu – 心念術 Parte 2: “Propriocepção " (Shinnenjutsu Part 2: "Proprioception"




Em Parte 1 deste artigo sobre Shinnenjutsu, falamos sobre Percepção Visual, e como ao controlar a percepção visual de seu oponente, se controla de fato sua mente.

Agora vamos examinar um pouco das coisas realmente divertidas: Propriocepção, e como você pode tomar controle da mente de outra pessoa através do toque. Essa área é muito comentada na Bujinkan (termos de sinestesia como; relaxe, não use força, etc.), mas compreender o mecanismo de controlar a percepção dos outros através do toque, e como aplicá-lo, é outra questão totalmente distinta.
Deixe-me afirmar aqui que isso de forma alguma é a resposta “definitiva” e completa para a “magia” que Hatsumi Sensei e alguns dos Shihans demonstram, mas serve para conduzir ao longo de uma grande distância, para dar-lhe um jogo de ferramentas que lhe permitiram ver e compreender, bem como realizar, os tipos de coisas que Sensei faz com seu Budo Taijutsu.

Antes de se aprofundar, precisamos compreender um pouco sobre o que é Propriocepção.


O Sentido Proprioceptivo se refere ao input e feedback sensorial que nos informa sobre movimento e posicionamento corpóreo. Isto é, a posição do corpo em relação a si próprio (ex. os braços em relação ao dorso), e o corpo em relação ao que quer que esteja tocando (o chão, uma cadeira, outra pessoa, etc.). É um dos “sentidos profundos” e pode ser considerado o “sentido de posição”.
Seus “receptores” (denominados de proprioceptores) estão localizados dentro de nossos músculos, juntas ligamentos, tendões, e tecidos conectivos. A pele, quando esticada ou beliscada, também desempenha um enorme papel em percepção de posição.

Se esse sentido proprioceptivo não estiver recebendo ou interpretando informação corretamente dentro desses músculos, juntas etc., então nos referimos a Disfunção Proprioceptiva.

Sem mensagens apropriadas a respeito de se os músculos estão sendo esticados, se as juntas estão se dobrando ou esticando, do quanto de cada uma dessas coisas está acontecendo, as pessoas terão os seguintes sinais “clínicos” de Disfunção Proprioceptiva (na verdade uma doença)...
• “Planejamento motor” dificultado, ex. conceitualizar e descobrir o que cada parte de seu corpo precisa fazer para mover-se de certa forma ou completar uma tarefa (o que é um sentido inconsciente para nós, se torna um sentido consciente, frustrante e ativo para eles).
• Dificuldade em executar aqueles movimentos planejados; “controle motor” (o cérebro pode saber o que fazer, mas não conseguem fazer seus corpos fazê-lo).
• Dificuldade em “graduar o movimento”; saber quanta pressão é necessária para completar uma tarefa (ex. segurar um copo de água, segurar e escrever com um lápis, virar a página de um livro, bater uma bola de golfe até o buraco, etc.).
• Dificuldade com “estabilidade de postura” ; ex. a habilidade de segurar e manter os próprios músculos posturais e suas respostas, dando a si um senso de segurança durante o movimento.

Como você pode ver com o que foi mencionado acima, esse sentido de Propriocepção é um componente chave e enormemente importante para nós no estudo do Budo Taijutsu. Por mais que não estejamos criando um estado permanente de Disfunção Proprioceptiva, os efeitos imediatos são os mesmos e, portanto, úteis para nossos propósitos.

Relacionada à idéia de Disfunção Proprioceptiva é a idéia de Dissonância Proprioceptiva.

Dissonância significa desentendimento ou incongruência, a idéia de Dissonância Proprioceptiva se refere a uma situação onde o sentido proprioceptivo está sendo dado duas ou mais mensagens diferentes, causando a mente a enviar informação comprometida de volta para o corpo.
(É importante notar que sua resposta proprioceptiva está no nível do sistema nervoso que possui um tempo de resposta muito rápido, não o muito mais lento processo de pensamento consciente de ordem superior que tipicamente associamos á “mente”).

Agora que temos uma definição de Propriocepção e porque poderíamos querer causar Disfunção e Dissonância Proprioceptiva, vamos ver algumas formas de implementá-la em nosso taijutsu.


Disfunção Proprioceptiva

Primeiramente, os receptores nas juntas enviam duas peças de informação importantes para a mente:
• Amplitude de movimento
• Velocidade de movimento

Amplitude se refere a distancia que uma junta se moveu, enquanto velocidade, é claro, se refere ao quão rápido uma junta está se movendo.

Amplitude
Então, quando uma junta (braço, perna, cabeça, etc.) está se movendo longe demais, seus proprioceptores enviam um sinal alertando sua mente que você precisa fazer um ajuste. Se um atacante o segura em “kumiuchi” e você responde empurrando ou puxando seu braço, seu corpo irá naturalmente se ajustar a fim de manter uma posição forte e equilibrada.

Você pode usar essa reação de duas formas.



Método 1:


A primeira é não mover os braços (relativo ao dorso do oponente), mas mantê-los no mesmo lugar e mover o corpo ao redor deles. Nisso é onde o princípio de “mover o corpo ao redor da arma e não a arma ao redor do corpo” (sabaki gata) vem à tona.

(Não se prenda na palavra “arma”, no caso de omote gyuaku, a “arma” é o punho, ou a parte que você está utilizando para controlar seu oponente. É muito semelhante a um fulcro e seu corpo é a alavanca).

Na Bujinkan Zero Point Dojo aqui no Japão, usamos a idéia de Contato Inicial (o momento em que você “entra em contato” com seu atacante) para transmitir o princípio de sabaki gata. (No momento que ocorre o corpo a corpo, haverá uma “forma” a onde seus dois corpos estarão conectados, então olhe para os ângulos entre os braços e dorso do oponente – essa é a forma).
A fim de que você possa criar Disfunção Proprioceptiva, você precisa deixar essa “forma” a mesma enquanto se move com os pés, até o ponto onde o equilíbrio dele for tomado, mas não tão longe que ele tenha que tomar um passo ou cair. Se você movê-lo além desse ponto, o sentido de equilíbrio dele irá se ativar e ele recuperará a própria estrutura.
(Isso talvez seja um pouco difícil de fazer no início, mas virá rápido com um pouco de prática).

A coisa importante aqui é isso: seu oponente acreditará que seu equilíbrio e estrutura estão bem, porque você manteve pequena a amplitude do movimento.

A outra peça importante relacionada a isso é velocidade.

Velocidade

Quando falamos em velocidade aqui, é sempre relativa a velocidade do atacante. Você quer essencialmente espelhar o tempo de seu movimento. No exemplo acima para kumiuchi, se seu atacante coloca tensão em seus braços e lhe pressiona, você deve se mover no tempo dessa pressão. Isso soa auto-evidente, mas a maioria de nós irá querer mover-se mais rápido numa tentativa de “vencer nosso oponente à reta final” por assim se dizer. Isso é contra produtivo para a meta de controle mental.
Você provavelmente é familiar com o conselho de ir devagar enquanto pratica seu taijutsu. Além da necessidade de adquirir habilidade (pelo qual você precisa fazer primeiro devagar, então gradualmente em velocidades mais rápidas a fim de conseguir integração máxima) existe outra razão para se mover devagar: isso engana o sentido proprioceptivo de seu oponente (shinnenjutsu).

A fim de demonstrar isso, pegue o braço de alguém por perto e puxe-o com força, você verá como ele automaticamente ajustará para acomodar e se tencionará. Isso se chama de stretch-reflex (stretch = alongar), é uma ferramenta proprioceptiva e seu propósito é proteger o músculo de incorrer dano, essa reação (o apertar dos músculos em torno da parte do corpo sendo puxada com força) é amplificada numa situação de alta tensão. Isso também significa que você estará ajudando seu oponente gerar mais força contra você. Ao menos que você esteja confiante que é capaz de sobrepujar em força qualquer pessoa que você encontrar, tente evitar isso.
Igual a controlar a percepção visual de nosso oponente, você quer se mover primeiro, mas mover-se lentamente. Quando você sentir que está se movendo lentamente o bastante, tente move-se mais lentamente ainda. Na prática, leve ao mais lento possível enquanto se mantém uma boa estrutura.

O Segundo método para brincar é;


Método 2:

Propositadamente mover o braço do seu atacante para gerar a resposta proprioceptiva que você precisa dele.
Novamente, a partir de kumiuchi, dessa vez você pode empurrar com seu braço direito no braço esquerdo dele como se você fosse aplicar mushadori, ao mesmo tempo girando o próprio corpo e suavemente escorregando seu cotovelo esquerdo sobre o braço direito dele. No momento em que ele reagir ao movimento de seu braço esquerdo (resposta proprioceptiva) ao corpo dele ser tencionado na tentativa de evitar que você aplique o mushadori, você então cai direto para baixo, capturando o braço direito dele com seu esquerdo no “verdadeiro” mushadori! Esse é um exemplo mais óbvio de shinnenjutsu.

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Dissonância Proprioceptiva
Ao se implementar Dissonância Proprioceptiva buscamos enviar sinais incorretos ou incompletas ao sentido proprioceptivo, de fato controlando a mente de nosso atacante através do engano. Agora, com Dissonância Proprioceptiva, nós tomaremos controle da mente de nosso oponente (sentido proprioceptivo) através da confusão (enviando informação demasiada e/ou incompleta).

A fim de fazer isso com sucesso há vários princípios de movimento que você precisa implementar:

• Muitos Pontos de Contato – cobrir como “Filmito” o corpo dele com o seu”.
• Empurre – Não Puxe.
• Use movimentos 3 dimensionais (espirais ou arcos).
• Mover-se ao espaço que eles precisão ocupar no próximo movimento.
• “Deslizar” juntamente aos contornos do corpo


Muitos Pontos de Contato:

Na Bujinkan somos advertidos a manter “o maior número de pontos de contato possíveis”. A compreensão comum disso é porque nos permite “controlar” (através do sentimento) o que nosso oponente está fazendo. Isso é bastante verdadeiro, mas há outra razão pela qual é tão útil, porque todos esses pontos de contato estão enviando informação para o sentido proprioceptivo de nosso oponente (ele também está sentindo), o que significa que podemos mandar a informação que queremos mandar, criando Dissonância Proprioceptiva (controle mental).

Eu uso o termo “filmito” (o plástico que se usa para embrulhar comida e guardar na geladeira), porque, quando você cobre comida, o filmito assume a forma da comida, mas não chega a mover a comida!

Porque você tem esses pontos de contato, você pode aplicar pressão com todo o corpo, (joelhos, cotovelos, quadril, etc.) não apenas as mãos. Isso significa que a mente de seu oponente está ocupada tentando acompanhar todas as fontes de informação que está chegando, muito mais do que está acostumado a lidar no dia a dia. Já que você está “cobrindo” o corpo de seu oponente, você pode aplicar pressão específica pela estrutura do seu oponente.
(Como aplicar pressão será abordado a seguir)


Empurre não puxe:
Essa idéia é um pouco mais difícil de comunicar em termos do que é intencionado com “empurrar e puxar”. Em termos gerais, a força da sua pressão deve viajar para fora do corpo (empurrar), não viajar de volta para o corpo (puxar). O movimento da sua força quando está fazendo uma flexão é, obviamente, um empurrar; o movimento de aplaudir é um puxar, pois se suas mãos não parassem uma a outra elas continuariam a viajar até tocarem o corpo.
Quando você estiver tocando seu oponente, ele estar dependendo de você para feedback proprioceptivo que permite eles manterem equilíbrio e postura – de fato, você o esta apoiando. O ato de empurrar remove este apoio. Puxar faz o oposto; ao puxar, ele se move para mais perto de seu centro, o que dar a eles quantidades crescentes de informação válida que o sentido proprioceptivo deles irá tirar vantagem.


Use Movimentos Tri Dimensionais (Espirais ou Arcos):
Dissonância Proprioceptiva ocorre ao se receber informação demasiada ou incompleta. Portanto, queremos usar movimentos mais complexos (3D), ao invés de movimentos menos complexos (2D).
Se você empurrar o ombro de seu oponente diretamente para trás isso envia alguma informação para o sentido proprioceptivo dele, se você empurrar seu ombro em um arco em direção a linha fraca dele (90 graus em relação a linha que atravessa os calcanhares dele), isso envia uma quantidade vastamente maior de informação para o sentido proprioceptivo dele. Agora, se você empurrar os quadris dele num arco de 90 graus em relação ao arco pelo qual seu ombro está sendo projetado, você sobrecarregará o sentido proprioceptivo dele, mais uma vez controlando sua mente.
Mova-se ao Espaço que Ele precisa Ocupar no Próximo Movimento:
Conforme você se move em torno de sue oponente, mantendo bastante contato, empurrando ao longo de seu corpo, não empurrando, você precisa se mover ao espaço que ele precisará no PRÓXIMO movimento. Hatsumi Sensei está sempre falando sobre “tsugi tsugi” o próximo próximo, significando, observe para onde seu oponente terá que se mover no próximo movimento a fim de lhe atacar com sucesso, então tome o espaço (controlando o kukan).

Por Exemplo; se você empurrar alguém a seu quadrante esquerdo, traseiro, você precisará mover-se em torno do corpo e até esse espaço primeiro! A essa altura, ele estará levemente encostando-se a você, pois você ainda estará os “envolvendo” como filmito, o que significa que ele está agora dependendo em você para o próprio equilíbrio e sentido de posição. A partir dessa posição é bastante fácil “apagá-lo” visto que não poderá responder apropriadamente a qualquer coisa que você fizer.
(Como você pode imaginar, a fim de fazer isso bem, você terá que está muito próximo a seu oponente. Ao treinar. Eu falo em mantê-los em sua “zona de abraço”, o lugar onde alguém estaria se você estivesse abraçando-os. Isso significará menos distância a se cobrir.)

Deslizar Juntamente aos Contornos do Corpo:

Hatsumi Sensei faz isso frequentemente, ao invés de empurrar seu oponente, ele gentilmente “desliza” seu braço ou perna ao longo do corpo de seu oponente. Há uma resposta de toque que reage a isso, causando o corpo a se mover para longe do toque. Se você empurrar forçosamente o efeito é negado.
Por exemplo; se você colocar levemente a sua mão esquerda no ombro de seu oponente, então deslizá-la ao longo da costa dele ao ombro oposto, você descobrirá que ele trocou o próprio equilíbrio para frente de seu pé esquerdo.
(É Claro que se ele souber o que você está fazendo com antecedência ele resistirá e se moverá de outra forma!).

Já que isto é uma mudança sutil, é mais útil quando seu oponente já está se movendo.
A fim de realmente apreciar isso (e todos os fatores de Dissonância Proprioceptiva), deve ser sentido pessoalmente. Qualquer um que já treinou com Hatsumi Sensei já o ouviu dizer isso. Outra coisa que Sensei diz, em cada aula, é para brincar como essas idéias.


Esse breve artigo realmente não tem como fazer justiça ao assunto abordado. Eu encorajo todos a examinar o papel que Propriocepção assume em nossa arte marcial e vir ao Japão e estudá-lo pessoalmente.

Se você quiser mais informação ou quiser treinar nesses conceitos diretamente, vá até: www.zeropointbujinkan.com.

(English Translation)

Go to: http://zeropointbujinkan.com/2010/01/shinnenjutsu-part-2/